A Sociedade de Formigas no processo de Inovação

Tenho muito orgulho da minha filha, A Maria Luísa, com seus dois anos de idade já domina um vocabulário que permite diálogos curtos, sabe contar, identifica as principais cores, sabe o nome e sons dos animais e pasmém, algumas vezes faz até piadas. Tenho certeza que ela é acima da média, assim como uns 99,99% de todos os pais corujas desse mundo acham dos seus respectivos filhos.
Nesta fase da infância acho um barato conseguir assistir filmes com ela, algumas vezes é claro, pois normalmente ela perde a paciência e sai derrubando a casa com sua energia inacabável, mas as raras vezes que ela fica quieta no sofá comigo e com a minha esposa assistindo algum filme da Disney são bem legais. Recentemente assistimos a um filme chamado “Vida de Inseto” um clássico, muito engraçado em diversos momentos, cheio de referências com piadas para a família inteira, e como todo filme da Disney, rebuscado e embalado de provocações e críticas à nossa Sociedade.
Em particular neste filme a crítica se deu em uma área que tenho botado bastante energia para trilhar, a da inovação. Sem querer dar spoilers (pois o filme já é velho), mas a história se passa em uma sociedade de formigas bem organizada, trabalhadoras e extremamente eficazes. O foco delas é juntar recursos para alimentar uma outra sociedade, opressora, e a eles próprios, nos dois cenários a sobrevivência delas dependia do resultado do trabalho, e por conta disso, a execução do trabalho no método padrão era tão importante, pois era assertivo. Mas eficácia não quer dizer eficiência.

O protagonista da história, uma formiga chamado Flik, era extremamente envolvido com o propósito porém grande questionador do processo, Flik era inventor de ferramentas, e em seu desejo vislumbrava melhorar a eficiência e proporcionar maior eficácia. Mas no processo transformacional nem tudo são flores, e digo mais, na minha experiência de longa data na área, a maior parte do tempo são falhas, as flores vem com o tempo, e com o aprendizado que as falhas trazem. Contudo, a sociedade que vivemos é cobrada por resultados e não por aprendizados, triste visão na minha opinião, mas não fui eu quem inventou as regras 🤷🏻‍♂️.


O processo transformacional e Inovativo pode parecer aspiracional e muito sexy para muitas pessoas que olham os resultados de forma superficial e de fora, mas a verdade é que por trás de todo ambiente decorado e estilo descolado estão processos, análises, desenhos, testes, falhas, mais análises, mais testes e mais falhas e o mais comum, cobranças. O resultado vem com muito superação de desafios. E na maioria das vezes não estão claros, eles aparecem pelo caminho, mas fazem parte do jogo, e ninguém de inovação está reclamando disso, mas a tristeza mesmo é o preconceito dos processuais, ninguém quer ter tempo a perder com apostas, acham que é besteira, os resultados sempre deram certo no processo atual. E por ai os processuais, a maioria, esmagam os inovadores, simples assim.
No filme, Flik é expulso de sua sociedade por não se encaixar aos demais, e também porque falhou em seus testes e causou incômodos , isso de forma fantástica e de certa forma satírica é retratado no universo Disney de entretenimento, porém no mundo real não é diferente, a máxima de “não se mexe em time que está ganhando” é tão fundada que chega a ser lei


… mas isso está mudando.

A transformação digital traz no seu pacote “novidades”. A nova mensagem é que “inovação é resultado”, mas nem sempre fácil de ser mensurado, mas mesmo assim é incrivelmente eficiente, para demonstrar isso temos os números do próprio Google, a Marca que não existia alguns anos atrás, mas que graças aos seus aproximadamente U$12bi gastos anualmente em P&D levaram-na ao patamar de Marca mais valiosa do mundo. E suas vizinhas de posição Apple, Amazon…todas investem cifras similares.

Muito se confunde neste novo modelo de Business onde a maioria das empresas se posiciona apenas como uma Tech company, não me entendam mal, eu não estou dizendo que não devam ser, mas o que fazer com tanta tecnologia se ninguém sabe para que serve? Na minha visão essa tecnologia deveria vir acompanhada por propósito, melhor dizendo, o propósito deveria vir acompanhado por tecnologia entendeu? Porque a ordem faz diferença. Construir um site não é inovação, mas criar um novo processo para resolver um problema e se empoderar de um site para viabilizar o acesso deste processo é. E digo mais, muitas vezes criar o site nem é o melhor acesso, mas isso só se descobre, testando, analisando, errando, aprendendo, corrigindo e com isso a melhoria é contínua.

Nem preciso dizer que como o Google o nosso protagonista Flik prospera no final, mas ele passou por muito stress, problemas, cobranças, preconceitos, apanhou e muito mais. Você pode assistir ao filme a partir dos últimos 5 minutos finais, verá a história de um inovador bem sucedido, mas se realmente quiser entender a importância do processo, recomendo assistir ao filme todo, é aprendizado garantido 😉.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: